domingo, 9 de janeiro de 2011

A morte é frágil.





Me peguei já andando em meio à uma rua conhecida, com gente desconhecida, no que parecia ser a noite no meio da noite. Eu estava indo para onde precisava ir, embora não soubesse bem porque e nem onde. Talvez apenas não soubesse.
  Eu perdi metade do caminho porque apenas a metade que eu havia caminhado tinha sido construída. Talvez este caminho fosse só uma metade.
  Cheguei. Era uma cabana velha de madeira e mal arrumada. Pressa e medo, é tudo que havia naquele lugar e naqueles rostos desconhecidos tão conhecidos. Ela iria chegar até mim a qualquer momento. Mas antes que chegasse até nós, estaríamos bem longe. Seja na estrada ou no inferno, estaríamos longe, de qualquer forma e através de qualquer caminho.
  Ela estava ali mesmo antes de chegar. Ela estava onde quer que eu estivesse, porque eu via seus olhinhos tão mais azuis que o céu, famintos por mim, em qualquer lugar. 
  Partir é o que estava escrito na mente de todos, é o que saía da respiração de cada um deles.
  O único jeito era ficar lúcida ou acordar. Em algum lugar eu sabia disso, mas não me recordaria até que acabasse.
  Entramos no carro. Seguimos sem olhar para trás, na velocidade mais alta que um carro poderia correr dentro da minha cabeça. Eu ainda não entendia bem porque precisava fugir, porque eu sabia de tudo aquilo mesmo sem saber de nada. Eu precisava de um motivo além do medo para estar fugindo de um ponto para outro dentro da minha mente.
  Luzes alaranjadas, barulho de outros carros. Barulhos não tão atormentados quanto nós. Era um túnel.
  O barulho da morte se chocando contra nós. Batemos antes mesmo de perder o controle. Talvez nunca tivessemos tido o controle.
  Ela estava ao meu lado dentro do carro. Ela e todos os cádaveres dos que me acompanhavam. Seus cabelos loiros encaracolados e sua face angelical, que não seria tão bem portadas por qualquer outra criança no mundo, se voltavam para mim. 
  "Se você não for minha, não será de mais ninguém."
   
  Dormi.

Um comentário:

  1. Gosto quando textos acabam batendo com algumas coisas pessoais minhas, e esse faz isso, o que torna meu julgamento um tanto, falso talvez, mas eu gosto.
    Talvez só devesse tentar fragmentar mais os textos. Acho que sempre que se mexe com mente, deve se evitar usar uma estrutura linear demais. Esse já faz um pouco isso, mas gostaria de ver algo bem mais quebrado seu. Bem, ainda tenho coisa sua pra ler, quem sabe ainda não encontro.

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