segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ofélia.


Oh, pobre Ofélia!
No meio da noite, mãos puxavam-lhe as pernas
Marcavam-lhe com arranhões as costas
Tocavam-na de maneira voraz
Sugavam-lhe as forças como quem não se satisfaz

A doce menina se desesperava
Sentia o toque, porém nada enxergava
Em pensamento se perguntava
O nome de quem por alguns minutos, secretamente a amava
Sempre voltando, como quem não esconde que gosta
E com sangue nas paredes
Ele lhe deu a resposta

Ofélia gritava, agoniava e chorava
Num surto calava-se e só fazia esperar
E chegando ao fim, mesmo ela, custava a acreditar
Que em meio à noite vieram lhe visitar
E o ato a transtornava ao mesmo que tempo que a viciava


Ah, pobre Ofélia!
Um belo dia, foi encontrada
Morta e ensanguentada, com as pernas marcadas
Cortes enfeitavam-lhe o corpo
E a loucura adornava sua alma
Apaixonou-se por seu visitante secreto
E o medo que ele lhe proporcionava

Pobre, pobre Ofélia!
Tão jovem, tão bela
Mais uma vítima do amor platônico.

5 comentários:

  1. Além de criativa, você escreve muito bem.

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  2. "Mais uma vítima do amor platônico."
    dentre tantas outras vítimas, Ofélia é mais uma que sofre essa inevitável auto tortura.
    Lindo

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  3. Que belo texto, quanta poesia!
    Gostei bastante, o texto foi crescendo junto como o abuso em Ofélia. Ótimo texto.

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  4. Eu leio os seus textos sorrindo. É inevitável.

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