terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Lullaby


Abre a janela, Zé. Deixa o dia clarear.
Deixa o Sol manchar de vermelho toda essa tua insegurança.
Acende teu cigarro, Zé. Deixa o medo se esvair a cada trago.
Senta na porra da tua cadeira e deixa o tempo voar,
porque a pressa não cabe na poesia e não faz atenuar a dor dos poetas
Olha o horizonte, Zé. Cura tuas chagas com a leveza das árvores
Curva o teu pensamento como fazem os bambus.
Vê se sofre, Zé, porque a tristeza tem essa mania louca
de carregar uma dose de doçura.
Abre a porta, deixa a inércia passar
A casa é grande, mas não há lugar para ela
e suas histórias feias de homens que viveram loucos
e suas mentiras aveludadas sobre poetas que morreram felizes.
Isso não existe, Zé.
Atende o telefone, Zé! A chuva não gosta de esperar.
O céu acinzentado soluça como uma criança, basta saber ouvir.
A morte está aqui, disse que gosta de brincar.
Você gosta de brincar, Zé?
Zé?

Um comentário:

  1. Então fui lendo e perdendo o ar, até quase me esquecer de respirar. Este já figura os meus favoritos aqui do IR. :)

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